meu amor acabou
se foi com uma lágrima
que rolava pelo meu olho esquerdo
eu que acreditei
e não ouvi promessas
eu que inventei justificativas
massacrei-me
procurei em seus sorrisos
frase tolas
que contruísse no meu imaginário
a raridade que eu ousei sonhar
imaginei, inventei, inverti
e tudo chegou ao fim
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
"Resposta Ao Tempo"
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter
O argumento
Mas fico sem jeito calada ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Por que sabe passar e eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo
Recordo o amor que perdi ele ri
Diz que somos iguais se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso ele não vai poder
Me esquecer
Compositor(es): Aldir Blanc/Cristovão Bastos
É o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter
O argumento
Mas fico sem jeito calada ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Por que sabe passar e eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo
Recordo o amor que perdi ele ri
Diz que somos iguais se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso ele não vai poder
Me esquecer
Compositor(es): Aldir Blanc/Cristovão Bastos
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Não existe desfecho cabível para inícios.
O que li parecia uma justificativa tola. Tola porque pretensa de domínio dos finais. Meu vício de linguagem resume-se ao “mas”. Uma expressão da contradição. Já notaram que pra tudo existe um “mas”? A ação contrária é intrínseca ao ser humano transmuta-se num contra-efeito insurgente e desaprisionador de todo o espetáculo pretenso de estímulo de prazer.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Sem título
Não me canso de admirá-lo
Por onde se esconde? Por que foge?
Queria que soubesse tudo o que sinto
A vontade de estar mais perto
Beijá-lo
Acariciá-lo
Puxar suas mãos e envolver-me nos seus braços
Sentir seu desejo e não duvidar
Sou o “quero porque quero”
O desejo em suas mão
Por onde se esconde? Por que foge?
Queria que soubesse tudo o que sinto
A vontade de estar mais perto
Beijá-lo
Acariciá-lo
Puxar suas mãos e envolver-me nos seus braços
Sentir seu desejo e não duvidar
Sou o “quero porque quero”
O desejo em suas mão
domingo, 2 de agosto de 2009
Um dia comum

Era um dia comum como todos os outros e nada, até então, o demonstrava como diferente. Eu tinha por hábito organizar mentalmente, ainda no início do dia, as tarefas que deveriam ser cumpridas. De tal forma, qualquer ação fora desse script seria totalmente casual. Ele saíra apressado, pois julgava que várias tarefas o aguardavam como prontas para serem executadas – pelo menos foi o que me confessou no final do dia.
Quando me viu abaixou a cabeça. Com esse gesto ele parecia querer afastar, de si para si, o desejo que tinha de sentir a minha boca. Ele demonstrava se perceber tolo por achar-se vulnerável a sensação que o dominava. Andou em minha direção e com um aceno buscou disfarçar o mal estar que o embaraçava. Não imaginava que eu pudesse na ponta dos pés, alcançar seus lábios e beijar-lhe.
Eu, distraída, via frente a minha face uma boca disposta a ser beijada. Foi por impulso, sem reflexão, cinismo ou raciocínio lógico que o olhei e o beijei. Ainda busquei auto-desculpa mas o despertar de palavras não cabia. A saliva degustada revelava mais que as explicações pudessem. Aos meus olhos parecia tão desarmado e correspondido. O contentamento era explícito. Abraçou-me e carinhosamente afagou minha face. Respirou fundo e sorriu. O encontro apenas começara.
sábado, 1 de agosto de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Viciada em homens errados

O Silêncio das Estrelas
Lenine
Composição: Indisponível
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais...
Afinal, como estrelas que brilham em paz, em paz...
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais...
Uma outra versão sempre é possível... Odeio Vc!
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Revelações íntimas

Quantas pessoas acompanham a novela que escrevemos?
Ah, pessoas! Sempre tão interessadas na projeção sexual alheia. Liberta das amarras e dogmas da pseudo esquerda me permiti as revelações desavergonhadas, separada de uma vinculação com o ideal, sem controles, sem uma correlata auto-condenação. Contudo, foi assim que encontrei mais grilhões externos, direcionados a mim, e minha fama ultrapassou os horizontes inimagináveis. Não me importo!
É isenta e espontânea que prossigo,! Superando o vínculo do ideal afirmativo, fruindo sem qualquer racionalização e sem o mais leve sentimento de culpa puritano no plano da minha existência, com os sentidos libertos declaro que ainda sob a intensidade do desejo reservo a ti parte do que sou.
Tolas são as explicações possíveis... cansei das palavras.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Sem explica- Ação

Embora eu não aceite, admito que adentramos um caminho um tanto quanto nebuloso. Do lado de dentro a mágoa inspira ingenuidade à medida que expira desconfiança. Prazer mórbido o seu, de repuxar com ajuda do tato, a casca da ferida que cicatriza.
Deixa a natureza agir! Altere a ordem dos fatos. Não se paralise diante da lembrança do passado. O que queres?! Solte a ação natural!
Para observá-lo liberto de sua própria prisão, eu buscaria desatar os nós que lacram sua caixa de pandora a fim de entregá-la a ti. Isso para v/c poder visualizar aqueles segredos que esconde de si mesmo. Se eu soubesse os caminhos para desatar os nós das culpas que carrega assim eu teria feito. Mas, suas palavras tecladas num falso desfecho, parecem fiar mais laços (ou nós, só v/c sabe) para o aprisionamento de novos segredos.
Tranquilize-se, não sou a Deusa. Meus olhos não são capazes de enxergar pra além do que queres que eu veja.
Como eu queria reviver aquela história, descontruí-la na sua gênese. O que chama de autopiedade eu denomino sinceridade, a entrega dos medos, das confusões internas, de dentro pra fora. Ser humano significa também perceber as limitações impostas pela condição própria de humanidade. Que mal lhe fiz? O que lhe causo? São perguntas que voaram no tempo.
Se menos imaturo fosse me diria olhando nos olhos o que conclui (ou um dia concluiu) sobre mim. Como alguém tão insignificante, quanto o que v/c diz eu ser, ainda lhe causa incômodos e lembranças que o levam a reflexão?
Se a ação fosse só individual... eu mesma destruiria, com os cinco sentidos reservados ao meu corpo, todo o legado da miséria cristã. Porém, ainda que para a tentativa vã, eu teria que num esforço constante esquecer o quanto a liberdade também é fruto da percepção e inter-Ação do próprio oprimido contra si. Teria que esquecer da ação contínua que eu mesma travo contra mim, contra os resquícios de uma auto-opressão construída socialmente.
Somos anti-heróis, não recriemos ilusões. A ação individual que cada um constrói por si e tão necessária quanto a coletiva, então brindemos: à convivência
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Quem paga a conta?

Os dois adentraram à noite com os corpos seminus. A roupa rasgada exibia os contornos da superfície molhada por saliva e gozo. Os gestos, realizados outrora, construíra o contato sugerido e obedientemente seguido. Foram delírios entregues, aceitos, sem confissões ou promessas. Sem regras dores transformaram-se em êxtase, sem rédeas seus corpos seguiram intensamente acalentando-se. Quem pensaria naquele instante na armadilha do domínio?
quinta-feira, 2 de abril de 2009
À refeição

Sozinha sentava-se à mesa, sob estado de espera de algo mais do que o cardápio e constatações vãs. Queria, mesmo dentro da sua infinitude azulada, da cor da pele aboborada, tatear algo que lhe apresentasse um caminho a seguir. Algo que lhe demonstrasse sentidos. Almejava encontrar dentro da salada uma bússola, um isqueiro, uma mão, uma porta ou qualquer objeto que lhe possibilitasse achar saídas para todas as suas perguntas.
Como compreender o que motiva à humanidade a ação? Fez um gesto para o garçom. Perguntas com múltiplas respostas embolavam sua consciência atordoada. Não sabia mais o que queria pra si. Deveria pedir sugestões ao metrie? Não havia tabuletas na entrada.
Anos dedicados a um sonho. O sonho, que se perdeu no caminho, realizava um objetivo sem propósito. O que fazer com tantas opções que se concentram numa única alternativa? Não queria sobreviver meio à dor de se vender. Muito menos receber, no fim do mês, o suficiente para continuar aprisionada. Não queria visualizar, na pequenez das atitudes diárias, a ausência da possibilidade de realização da própria mesquinhez. O que solicitar como prato principal, peixe ou ovos?
Enquanto pensava percebia que ela era a substância liquefeita que sugada adentrava o canudo. Como se torna mesquinha a vida quando se constata que o trabalho em nada dignifica quem o executa que nada possibilita a quem dele vive. O garçom vinha em sua direção. Trabalho, tão desejado e odiado! Seus frutos servem a poucos. Trabalhar para ver através da íris, a lente da frustração, a subserviência, a impossibilidade da auto-afirmação humana.
A refeição estava posta sem direta proporção aos sentimentos, a indignação. Num “continue” progressivo quanto mais perguntas chegavam mais dúvidas surgiam. O susto de se perceber ser humano corria a passos largos. Mastigava a carne suculenta, contudo precisava dar início a uma dieta. Enquanto constatava os próprios limites as perguntas vinham emaranhadas, umas as outras, sem orientação ou coerência: a nova moral, onde estava? O horizonte utópico, qual era? Onde encontrar a superação das inúmeras ausências? Vegetarianismo (?!) seria essa uma saída?
Não percebia caminhos a serem percorridos, muito menos lugares com reservas sob a claridade da luz de velas. Com o pedido da conta tentou puxar um assunto qualquer com o garçom. Concluía que as refeições precisavam de algo mais do que paladar. O cardápio, de algo mais do que apresentação dos pratos do dia. Toda a forma de desejo passa pela busca de superação da superficialidade.
O embrulho de Alice

Alice estava num estado de semiconsciência. Estava perdida dentro de seus sentimentos, por isso havia buscado a criação material como expressão catártica. Enquanto movia as mãos os pensamentos libertavam-se. Lembrou da entrega dos planos, das manhãs tranquilas com cheiro de café fresco, da cama desarrumada, da porta fechada sem a despedida, enfim das cenas comuns de um cotidiano não solitário.
Seus olhos, vazios de alegria, concentravam-se na feitura daquela tentativa de arte. Sua forma não aleatória resgatava na memória o empenho dedicado a realização de um plano elaborado por dois e não construído por um. O objeto transfigurava o sonho de transformar uma data qualquer numa data especial para os dois. Porém tudo estava rompido.
Alice, entre um pensamento e o outro que se entrecruzavam, rompendo uma continuidade lógica descortinava a farsa de ainda se perceber acompanhada. No gerúndio percebia a manifestação do desejo de alicerçar, em novas práticas, outros sonhos. O objeto só carregava em si o desejo de uma ação planejada no pretérito, por isso deveria ser esquecido.
domingo, 15 de março de 2009
Não entendo...
Doce queimado

Puxando pelo fio de racionalidade ainda presente às 3h da manhã, cutuquei os subterrâneos da memória inconsistente e debulhei, com ajuda das mãos, os grãos que corrompiam a homogeneidade. Com a colher de pau mexi mais que 3 vezes, da esquerda para direita, as lembranças de um passado condensado. Mas não brandei o fogo. Lá se foi toda a mistura exalando o odor do queimado .
sexta-feira, 13 de março de 2009
Não faço versos Alexandrinos

Difícil é começar pelo início.
Não sei onde começaram as dúvidas, a imprecisão.
Muito menos o inconformismo.
Com meus atos apresentei sonhos.
Na ação sincera,
reinventei relacionamentos disformes,
só não desinteressado de afeto.
Entre nós, tudo era melodia.
Motivo pra mais uma cantoria.
O toque, só buscava a pele macia.
No embalo do contato
Dancei sem música
Não nego, muitas vezes eu o admirei
Sonhei acordada
Com intensidade, desejei o encontro
E até, saudosa, esperei o sorriso aberto.
Agora, tudo é indiferente.
To anestesiada. Não sinto.
Nem dor, nem saudades.
Não sinto dúvida, nem certeza.
Não quero pensar no que fiz,
no que você fez,
ou no que fizemos juntos.
Passou.
Não force a lembrança.
“Tudo passa, tudo passará.”
Já disse o poeta.
Pela janela vejo indo o passado,
Sem erros e acertos.
Outras constatações perderam importância.
Pq não esquece que existo?
segunda-feira, 2 de março de 2009
Amo trechos de música
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Triturando cérebros

Seus pensamentos ronronavam na sua cabeça, tal como o motorzinho que os gatos parecem carregar dentro de si. Queria externar toda a sensação de desprazer. Queria retirar de dentro de si o desconforto. Se fosse possível, segurava pela ponta da linha da razão e puxava... puxava com firmeza a desconfiança na vida. Se o incomodo do lado de dentro fosse um verme era assim que faria: abria a boca, o segurava pela ponta e puxava até acabar o desconforto.
Mas, os malditos nódulos não poderiam ser retirados com tanta facilidade e ainda sem definição travestiam-se num mal incontornável. Eram ao mesmo tempo a certeza da ausência do apoio emocional e a desesperança na perspectiva de uma vida mais amena. Para ela, era difícil crer, aqueles que ela portava seriam nódulos do bem.
Nesse momento somente eles a possuíam e toda a sua malignetude já a dominava. No momento de dor, nas profundezas da sensação que corrói, não existem amigos, não existe ninguém que transforme o desespero em algum motivo à sorrisos, pelo contrário.
Lembrou-se da ação, muito sem graça, que um alguém fizera ao abordar seu medo como base para a construção de uma tentativa de literatura. Somente um ser-monstro poderia ser tão desrespeitoso, poderia ser capaz de tratar a possibilidade da certeza da morte como algo fútil e vazio de sentimentos.
Refletiu mais um pouco. Recordou das atitudes de outros monstrinhos egoístas que certamente nunca haviam pensado na possibilidade da morte lenta e torturante. Lembrou-se de como sentiu a solidão no dia da ultima visita ao médico. Da festa de carnaval que já começava e da intensidade do desejo da amiga em ter sua companhia feliz. Mas, quem seria capaz de forçar-lhe a felicidade? E, quem seria capaz de entender seu desespero diante daqueles extensos pedidos de exames?! Achou-se tola por confiar nos sentimentos humanos que existem para além da aparência difusa, superficial. Decidiu não mais desabafar seus medos com ninguém. Fechou-se definitivamente ao envolvimento e sem hesitar passou a tratar as pessoas como corpos despossuídos de sentimentos. Assim, partes de corpo (boca, dentes, pernas, bunda ...) formavam pessoas mais ou menos aptas a produção da sensação do gozo mecânico.
Aproveitou a data festiva para contornar o mal estar e prosseguir meio aos foliões pondo em prática sua elucubração não teórica. De dia, de bloco em bloco, disfarçava para si mesma, à base de cerveja, cigarros e corpos, o peso da duvida. De noite, desabava em lágrimas o medo do leito hospitalar e da queda dos cabelos. O medo era algo inexplicável que concentrava-se numa mistura de dor, ausência afetiva e perspectivas de futuro.
Morte em vão, vida em vão! Internamente a bigorna movia-se moldando os metais que carregava. Tudo isso dentro da sua cabeça
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Pensamentos soltos
Meu amor por Isabela... saudades de Isabela

Ah, Isabela! Tu eras a maravilha.
Era o fruto que desmancha na boca.
A suavidade do afago sob a pele macia.
O encontro dos enamorados
Era a tarde de domingo.
Eu sou só a lembrança
A vontade de reviver o que tu era
Abra-me seus braços
Me leve para a lonjura do horizonte
Com suas pedaladas alcanço o infinito
Com o seu olhar encontro o caminho
Abra-me seus braços
Quero me perder no emaranhado de seus cabelos
Ao seu lado descansar na grama macia
Abra-me seus braços
Juro que nunca mais minto
E que serei sempre sua
Fitas de Cetim – Dueto

Meio aos meus escritos me pego a te fitar,
São fugidias lembranças do seu cuidar
É onde me desfaço e me recompondo me percebo seu / sua
Desejar-te, trazer-te água
Pequenas demonstrações de sentimento,
pura retribuição de zelo
Como fugir se é em teu colo que repouso?
Como fugir se é em teu colo que adormeço?
Em seus contornos, idas e vindas, me transbordo
Meu sentir, sentir-te em mim, pra me sentir mais teu / tua
Meio a teu corpo me recomponho
em suas retinas me percebo mais teu / tua
Escrito em algum dia de 2007
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Minha primeira

Não pude evitar o drama. Fiz e refiz os acontecimentos viajando sob as linhas de minha mão. Confesso que estava limpa e não havia consumido drogas quando me permiti aquele ato irracional. Estávamos ali só nos duas, não havia platéia, muito menos testemunhas. No princípio eu não entendia como era possível liberar sentimentos sem me preocupar com a exposição que já se iniciava ali para ela mesma. Depois, estava ali nua.
Lembro-me que repousava serena quando fui tomada por um contato, contato humano sob a superfície da pele ainda fria. Vibrei-me correspondi desejosa ao prazer aparente daquela que me afagava. Ela queria sexo e eu não me enganava. Tomei de seu corpo. Segurando-a pela cintura com as perna retirei-lhe a blusa com as mãos. Seus seios eram redondos, firmes e o centro encoberto por uma auréola rosada. Gostoso foi acariciá-lo com minha própria boca e mordê-lo em proporções delirantes. Sem perceber-me já a chupava sem deixar tempo pra que ela me retribuísse o afago.
Lembro-me que repousava serena quando fui tomada por um contato, contato humano sob a superfície da pele ainda fria. Vibrei-me correspondi desejosa ao prazer aparente daquela que me afagava. Ela queria sexo e eu não me enganava. Tomei de seu corpo. Segurando-a pela cintura com as perna retirei-lhe a blusa com as mãos. Seus seios eram redondos, firmes e o centro encoberto por uma auréola rosada. Gostoso foi acariciá-lo com minha própria boca e mordê-lo em proporções delirantes. Sem perceber-me já a chupava sem deixar tempo pra que ela me retribuísse o afago.
Ela era doce e salgada e conforme gemia me embalava em mais prazer. Gozava sob minha boca quando fui tomada por um rompante. Saindo de baixo de meu ventre que a pressionava na cama me jogou para seu lado. Nesse momento eu era só prazer e não entendia seu movimento voluntário. Em menos de 1 segundo pôs-se a me bulinar com as mãos enquanto devorava tal como vampira meu pescoço.
Quanta habilidade manual! Todo o meu corpo era seu, ela já havia se apossado dele. Mordiiiidas,! língua e dentes eram brinquedos que torturando-me rendiam mais do que gemidos. Gozava, não nego, gozava sob suas mãos. Benditas mãos que agora fico a fitar sob as ondas dessas fumaças.
Escrito em 03/01/09
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Moderdora

Queria esquecer da insensatez, por isso decidiu sumir por uns tempos. Colou algumas peças de roupas dentro da mochila (1 calça, 2 blusas, 3 peças intimas e 1 par de chinelos), apertou a sapatilha e caminhou em direção a rodoviária da cidade. Imaginou no caminho poder encontrar alguém querido que lhe desviasse do trajeto planejado e seguiu. Enquanto cortava o centro do Rio admirava as vitrines e pensava que olhava para dentro de seus desejos. Chegou a suspirar namorando a moda.Era uma tarde quente de um dia de verão. As pessoas passavam pela rua como formigas que correm atras do sustento. As formigas eram muitas e transitavam num desespero, de um lado para o outro, de forma que nela causava náuseas. Todas tão preocupadas com seus afazeres que não pareciam poder refletir e observar nada além dos obstáculos a frente da próxima passada de pernas. O caminhar de todos era ligeiro.Só Alice continuava ali estática tomada pela intensidade de seu desejo. Ela não era velha e, é claro, cultivava a juventude vaidosa. Através do vidro viu seus sapatos, que estava acompanhado da promoção escrita em vermelho “sale”. Ela queria vesti-lo e assim foi fazer.Adentrou o espaço que julgava ser familiar, sentia-o como se fosse todo dela. Rodeada pelas pessoas que disfarçadamente a observavam tomou-se pela acolhida. Pegou um, dois, três objetos do mostruário. A música ao fundo embalava sua sensação, ela era a goma cheia de açúcar, estava repleta e preenchia-se cada vez mais com os olhares que lhe eram direcionados. Ali ela era o centro do mundo, não o grão dentro da bolha.A estranheza veio sim, e veio de fora para dentro, acompanhada da nota fiscal. Ato meticulosamente planejado e necessário a fim de não interromper o fluxo da aparente afeição. Todas as relações resumiam um só movimento “casch”. Queria ser notada, porém todo aquele movimento a fazia fulgás.Antes de puxar a bolsa em que havia à pouco depositado pouco do que possuía vistoriou-se de baixo à cima e pensou em acelerar o passo. Lembrava-se do trajeto planejado. Tinha que ir para a rodoviária. Percorrer o caminho mudo o mais rápido que pudesse, sem perder-se nas futilezas modernas. O ar sutil que aparentava à esmero denunciava sua falta de jeito com aquelas que buscavam cativá-la.Desorientou-se quando pensou que o seu movimento a permitia pintar seu próprio nome no céu. No seu subconsciente sabatinava a autarquia doente e à media que punia-se pelo devaneio, caminhava, caminhava mais rápido. Era preciso cada vez mais rápido se distanciar da insensatez. Era preciso seguir. Era preciso engolir o nó da garganta, a amargura no peito, as lembranças e tudo mais que a enojava.Os arredores estavam preenchidos pelos rostos desfigurados pela fome. Eram homens mulheres e crianças que usavam trapos e catavam latas pelos cantos preenchidos de lixo enquanto cantavam. Um deles observou uma guimba de cigarro, ascendeu-a com fósforo que lhe restava e tragou a fumaça.A cena embora fosse comum, impactou-a. Era uma boca vazia de dentes e uma barriga preenchida de fumaça. Sentiu-se humilhada pela sua condição social, pelo seu modelito blasé e pelo diploma de bacharel. Olhou para poça e não foi capaz de se observar. Era tola, branca, magra, alta e cultivava um estereótipo feliz pra fugir da dor que sentia com o constante destaque da cena. Cena que se repetia e que sempre a golpeava no intimo.Não conseguiu mais fingir a felicidade, estava tomada pela sensação da tragada. Seus pertences não a conformavam em nada, nada além da imagem observada. Seus pertences eram um rótulo e seu estilo um manual. O que tava do lado de dentro era imperceptível, calado, desgostoso e sem esperança. Não despretenso das mazelas observadas, da dor disfarçada com a tragada.
Tarot

Meu amor!
Hoje sonhei com você e você estava tão lindo! Sorria pra mim enquanto acariciava minha face. Estávamos sentados sobre a grama e a paisagem que observávamos do alto era mais que admirável. Seu beijo tinha gosto de manga e o vento levitava nossos cabelos. Acompanhávamos-nos e nada mais era preciso para preencher aquele tarde.
Foi uma pena acordar e não percebê-lo ao meu lado. Queria que soubesse o quanto te admiro e te desejo inteiro.
Sinto vontade de fazer coisas simples em sua companhia ler, assistir uma peça, caminhar, ouvir música, beber vinho, trocar confidencias ao pé do ouvido e gozar. Sinto vontade de ficar inteira em sua companhia, sem medos.
Ah! Se eu pudesse e se tivesse coragem... eu me entregava, demonstrava todo o meu desejo contido. Apertava as suas mãos e as envolvia sob o meu corpo. Convidava-o para passear na avenida e seguia à pé.
Lembrar o que não vivi... como eu queria conseguir esquecer esse desejo não correspondido. Pior do que uma idéia fixa! Seria simples se eu pudesse modificar a sensação, alterar o que sinto tal como troco a posição das cartas do jogo de tarot quando não aceito a revelação. Onde você está? 29, 13 e 01 são essas as cartas. Viu! Você sempre no futuro. Já não posso mais esperá-lo.
Minha ansiedade perdeu os modos. Tô te esperando na cama.
Hoje sonhei com você e você estava tão lindo! Sorria pra mim enquanto acariciava minha face. Estávamos sentados sobre a grama e a paisagem que observávamos do alto era mais que admirável. Seu beijo tinha gosto de manga e o vento levitava nossos cabelos. Acompanhávamos-nos e nada mais era preciso para preencher aquele tarde.
Foi uma pena acordar e não percebê-lo ao meu lado. Queria que soubesse o quanto te admiro e te desejo inteiro.
Sinto vontade de fazer coisas simples em sua companhia ler, assistir uma peça, caminhar, ouvir música, beber vinho, trocar confidencias ao pé do ouvido e gozar. Sinto vontade de ficar inteira em sua companhia, sem medos.
Ah! Se eu pudesse e se tivesse coragem... eu me entregava, demonstrava todo o meu desejo contido. Apertava as suas mãos e as envolvia sob o meu corpo. Convidava-o para passear na avenida e seguia à pé.
Lembrar o que não vivi... como eu queria conseguir esquecer esse desejo não correspondido. Pior do que uma idéia fixa! Seria simples se eu pudesse modificar a sensação, alterar o que sinto tal como troco a posição das cartas do jogo de tarot quando não aceito a revelação. Onde você está? 29, 13 e 01 são essas as cartas. Viu! Você sempre no futuro. Já não posso mais esperá-lo.
Minha ansiedade perdeu os modos. Tô te esperando na cama.
Vitrine ou O que me faz chorar

Observo uma mulher que caminha aparentando estar meio perdida. O que será que se passa na sua mente? Será uma mente insana ou será ela adaptada a vida para o trabalho?
Como seguir frente a uma história descontinua e marcada por lacunas sócio-existenciais? Será ela só? Ou será que dentro do inconsciente a solidão não é sua parceira?
Durante a manhã a observei como revistasse a agonia que pisoteia toda a sensação de fragilidade. Seu percurso ziguezagueante revelava a inconstante emoção de satisfação.
Lembrei que já a havia visto outras vezes. Ela era uma peça comum da Alcindo Guanabara, Centro do Rio. Lembrei de uma tarde de um dia comercial em que eu refrescada pelo banho esperava a condução. Eu estava ali com meus textos lidos, com a matéria decorada na cabeça, com o valor da passagem na mão quando ela abraçou um homem que falava ao celular. A atitude dele de susto a asperou mas ela não se conteve abraçou outro que se sentiu inojado e envergonhado de negar afeto aquela que tão voluntariamente lhe dirigia o gesto.
Ele buscou se desculpar para as demais pessoas que estavam sentadas ao ponto. Justificava-se: - “Ela está suja! Tadinha! Está carente, quer atenção! Como posso?! Ainda vou trabalhar hoje (...) e se ela tiver uma doença de pele.” Enquanto isso ela saiu chorando vilipendiada. Aparentando ter sido incompreendida enxugava suas lágrimas com a barra do casaco.
E eu por alguns segundos julguei-me superior. A observadora portadora de recursos suficientes para comprar uma vida menos medíocre, ajustada à racionalidade construída sob base real, objetiva. Os minutos passaram e logo voltei para a reflexão empática. Queria afagá-la, ouvi-la. Mas, eu também estava presa a uma grade de horário, da Escola de Serviço Social. (Metáfora? Não. Fato real) Eu me desencontrei e prossegui. Minha ação não era por um, por ela, nem por mim. Eu queria desmontar toda a estrutura social e ainda hoje busco como.
Ainda não entendi o que move as pessoas da casa para o trabalho, do trabalho para família, da família para labuta e dessa para o amanhã? Como não se percebem construtoras da ação? Não sei. Juro que me desencontro toda vez que busco racionalmente entender o que motiva tantas pessoas para vida mesquinha, pouco aprazível. Minha psique corrói-me em dor toda vez que me vejo inerte ao movimento de busca pela superação dessa forma de viver pequena e doentia.
Não me faz sentido trabalhar para comer, pensar para oprimir. Se a emancipação – meu sonho irrealizável porque imperceptível às possibilidades para sua realização – não é possível, prefiro à morte (reconheço o fatalismo subliminar). Prefiro sumir, planar até as brumas do infinito e esquecer toda a tentativa. Porém, não há lugar possível pra onde ir. Não há encontro possível. Meu sonho não se constrói em solitude, nem somente à dois.
Nanã abra-me seus braços. Não posso mais. Não consigo mais encontrar alegria diante de tanta ausência. Já não consigo disfarçar toda a dor de ver, sentir e entender que a opressão se retro-alimenta. A sensação contenta é inexeqüível ante aos rostos corroídos pela fome, carcomidos pelo crack, diante de pessoas nitidamente destruídas pela miséria que lhe impossibilitam outras saídas se não a venda de seus próprios sonhos.
A moça ziguezagueante talvez tenha se encontrado num espaço imaginário, mais livre porque não mercantil. Talvez numa “Parságada” ou numa “Cocanha” interior ela seja mais feliz. Num mundo imaginativo talvez se sinta mais apta e menos adaptável. Quem sabe dentro de si encontrou a paz de não ter que seguir tantas determinações sociais, nem tantos condicionantes para ser aceita.
Leitor! Quanto custa sua vida? Tem sonhos, quanto custam? E o tempo necessário para a realização do ideal, lhe é caro? Como jogas pela janela a possibilidade de outra via?
Sou marcada pela dor. Assumo! Sou marcada por histórias de vida que revelam estragos da ausência do apoio social, do mínimo necessário para suprir a sobrevida.
Perdi-me dentro daquela mulher ziguezagueante que em seu olhar puxava a piedade como uma forma de me convencer a lhe ceder esmolas. Ela era uma pedinte e eu não era menos patética. Muito menos as minhas mazelas estavam menos expostas. Eu era ela na voz passiva.
Como seguir frente a uma história descontinua e marcada por lacunas sócio-existenciais? Será ela só? Ou será que dentro do inconsciente a solidão não é sua parceira?
Durante a manhã a observei como revistasse a agonia que pisoteia toda a sensação de fragilidade. Seu percurso ziguezagueante revelava a inconstante emoção de satisfação.
Lembrei que já a havia visto outras vezes. Ela era uma peça comum da Alcindo Guanabara, Centro do Rio. Lembrei de uma tarde de um dia comercial em que eu refrescada pelo banho esperava a condução. Eu estava ali com meus textos lidos, com a matéria decorada na cabeça, com o valor da passagem na mão quando ela abraçou um homem que falava ao celular. A atitude dele de susto a asperou mas ela não se conteve abraçou outro que se sentiu inojado e envergonhado de negar afeto aquela que tão voluntariamente lhe dirigia o gesto.
Ele buscou se desculpar para as demais pessoas que estavam sentadas ao ponto. Justificava-se: - “Ela está suja! Tadinha! Está carente, quer atenção! Como posso?! Ainda vou trabalhar hoje (...) e se ela tiver uma doença de pele.” Enquanto isso ela saiu chorando vilipendiada. Aparentando ter sido incompreendida enxugava suas lágrimas com a barra do casaco.
E eu por alguns segundos julguei-me superior. A observadora portadora de recursos suficientes para comprar uma vida menos medíocre, ajustada à racionalidade construída sob base real, objetiva. Os minutos passaram e logo voltei para a reflexão empática. Queria afagá-la, ouvi-la. Mas, eu também estava presa a uma grade de horário, da Escola de Serviço Social. (Metáfora? Não. Fato real) Eu me desencontrei e prossegui. Minha ação não era por um, por ela, nem por mim. Eu queria desmontar toda a estrutura social e ainda hoje busco como.
Ainda não entendi o que move as pessoas da casa para o trabalho, do trabalho para família, da família para labuta e dessa para o amanhã? Como não se percebem construtoras da ação? Não sei. Juro que me desencontro toda vez que busco racionalmente entender o que motiva tantas pessoas para vida mesquinha, pouco aprazível. Minha psique corrói-me em dor toda vez que me vejo inerte ao movimento de busca pela superação dessa forma de viver pequena e doentia.
Não me faz sentido trabalhar para comer, pensar para oprimir. Se a emancipação – meu sonho irrealizável porque imperceptível às possibilidades para sua realização – não é possível, prefiro à morte (reconheço o fatalismo subliminar). Prefiro sumir, planar até as brumas do infinito e esquecer toda a tentativa. Porém, não há lugar possível pra onde ir. Não há encontro possível. Meu sonho não se constrói em solitude, nem somente à dois.
Nanã abra-me seus braços. Não posso mais. Não consigo mais encontrar alegria diante de tanta ausência. Já não consigo disfarçar toda a dor de ver, sentir e entender que a opressão se retro-alimenta. A sensação contenta é inexeqüível ante aos rostos corroídos pela fome, carcomidos pelo crack, diante de pessoas nitidamente destruídas pela miséria que lhe impossibilitam outras saídas se não a venda de seus próprios sonhos.
A moça ziguezagueante talvez tenha se encontrado num espaço imaginário, mais livre porque não mercantil. Talvez numa “Parságada” ou numa “Cocanha” interior ela seja mais feliz. Num mundo imaginativo talvez se sinta mais apta e menos adaptável. Quem sabe dentro de si encontrou a paz de não ter que seguir tantas determinações sociais, nem tantos condicionantes para ser aceita.
Leitor! Quanto custa sua vida? Tem sonhos, quanto custam? E o tempo necessário para a realização do ideal, lhe é caro? Como jogas pela janela a possibilidade de outra via?
Sou marcada pela dor. Assumo! Sou marcada por histórias de vida que revelam estragos da ausência do apoio social, do mínimo necessário para suprir a sobrevida.
Perdi-me dentro daquela mulher ziguezagueante que em seu olhar puxava a piedade como uma forma de me convencer a lhe ceder esmolas. Ela era uma pedinte e eu não era menos patética. Muito menos as minhas mazelas estavam menos expostas. Eu era ela na voz passiva.
Não me leia
Nunca começo pelo título, desta vez resolvi fazer diferente. A carta que puxo do baralho me apresenta caminhos, seu número é o 22 e possui um valete de ouros. Minha imaginação trai a tentativa de descrever meus sentimentos, por isso resolvi recorrer as cartas. Mesmo não creditando veracidade desejei que elas me trouxessem revelações, que aguçasse a imaginação. Balela!
Utilizo-me de fatos corriqueiros e comuns para tentar compor a fábula ainda que sobressaltada. Penso no que vivi nos gestos e lugares que observei. Nas falas, sim, nas falas não minhas. Na disposição dos objetos, no comportamento alheio ao meu.
Realizo de forma mecânica o mesmo gesto não abrupto, depois, fico avaliando a capacidade franzina que possuo de provocar sentimentos e ações não previsíveis nos outros. Utilizo do pouco que consigo captar para montar o cenário, criar os personagens da próxima história. Porém isso não é o suficiente pra compor os parágrafos.
È tudo tão habitual, tão despretenso que se torna cenotáfio.
Sim, lembrei-me. Há algo que vivi. Posso puxar da memória aquele... qual era seu nome. Ah, isso não importa. Ele tem vivacidade e caminha nu. Provocou-me insônia. Devo utilizá-lo, só é prejudicial aquilo que não faço. Descrevendo o seu comportamento posso criar um conto. Se eu possuísse algo mais que as palavras, talvez conseguisse um romance, quiçá uma poesia. Mas não consigo descrever o que não vivo, fico com a ficção abstrata.
Não sei se tenho um fundo, ou uma alma perene. Não me choco com o que vejo, nem nas palavras que raras vezes são transmitidas a mim encontro refrão. Só sinto o eco da esperança atirada sob mim quando quem provocou o efeito já se foi. Garimpo nas histórias alheias medos, sonhos e atitudes corriqueiras, palavras para linha do meu raciocínio perdido. Elas não preenchem nada além do copo d’água.
Ele é uma lembrança, devo dissolvê-lo. Sou o espectador posso dilatar o imaginado e não quero me perder em argumentações sem propósito. Não quero me caracterizar enquanto infundado, nem por isso me expor. Sou o vampiro vagante que durante a madrugada espreita pela tela tudo o que é alheio a mim.
Utilizo-me de fatos corriqueiros e comuns para tentar compor a fábula ainda que sobressaltada. Penso no que vivi nos gestos e lugares que observei. Nas falas, sim, nas falas não minhas. Na disposição dos objetos, no comportamento alheio ao meu.
Realizo de forma mecânica o mesmo gesto não abrupto, depois, fico avaliando a capacidade franzina que possuo de provocar sentimentos e ações não previsíveis nos outros. Utilizo do pouco que consigo captar para montar o cenário, criar os personagens da próxima história. Porém isso não é o suficiente pra compor os parágrafos.
È tudo tão habitual, tão despretenso que se torna cenotáfio.
Sim, lembrei-me. Há algo que vivi. Posso puxar da memória aquele... qual era seu nome. Ah, isso não importa. Ele tem vivacidade e caminha nu. Provocou-me insônia. Devo utilizá-lo, só é prejudicial aquilo que não faço. Descrevendo o seu comportamento posso criar um conto. Se eu possuísse algo mais que as palavras, talvez conseguisse um romance, quiçá uma poesia. Mas não consigo descrever o que não vivo, fico com a ficção abstrata.
Não sei se tenho um fundo, ou uma alma perene. Não me choco com o que vejo, nem nas palavras que raras vezes são transmitidas a mim encontro refrão. Só sinto o eco da esperança atirada sob mim quando quem provocou o efeito já se foi. Garimpo nas histórias alheias medos, sonhos e atitudes corriqueiras, palavras para linha do meu raciocínio perdido. Elas não preenchem nada além do copo d’água.
Ele é uma lembrança, devo dissolvê-lo. Sou o espectador posso dilatar o imaginado e não quero me perder em argumentações sem propósito. Não quero me caracterizar enquanto infundado, nem por isso me expor. Sou o vampiro vagante que durante a madrugada espreita pela tela tudo o que é alheio a mim.
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