sábado, 7 de fevereiro de 2009

Não me leia

Nunca começo pelo título, desta vez resolvi fazer diferente. A carta que puxo do baralho me apresenta caminhos, seu número é o 22 e possui um valete de ouros. Minha imaginação trai a tentativa de descrever meus sentimentos, por isso resolvi recorrer as cartas. Mesmo não creditando veracidade desejei que elas me trouxessem revelações, que aguçasse a imaginação. Balela!
Utilizo-me de fatos corriqueiros e comuns para tentar compor a fábula ainda que sobressaltada. Penso no que vivi nos gestos e lugares que observei. Nas falas, sim, nas falas não minhas. Na disposição dos objetos, no comportamento alheio ao meu.
Realizo de forma mecânica o mesmo gesto não abrupto, depois, fico avaliando a capacidade franzina que possuo de provocar sentimentos e ações não previsíveis nos outros. Utilizo do pouco que consigo captar para montar o cenário, criar os personagens da próxima história. Porém isso não é o suficiente pra compor os parágrafos.
È tudo tão habitual, tão despretenso que se torna cenotáfio.
Sim, lembrei-me. Há algo que vivi. Posso puxar da memória aquele... qual era seu nome. Ah, isso não importa. Ele tem vivacidade e caminha nu. Provocou-me insônia. Devo utilizá-lo, só é prejudicial aquilo que não faço. Descrevendo o seu comportamento posso criar um conto. Se eu possuísse algo mais que as palavras, talvez conseguisse um romance, quiçá uma poesia. Mas não consigo descrever o que não vivo, fico com a ficção abstrata.
Não sei se tenho um fundo, ou uma alma perene. Não me choco com o que vejo, nem nas palavras que raras vezes são transmitidas a mim encontro refrão. Só sinto o eco da esperança atirada sob mim quando quem provocou o efeito já se foi. Garimpo nas histórias alheias medos, sonhos e atitudes corriqueiras, palavras para linha do meu raciocínio perdido. Elas não preenchem nada além do copo d’água.
Ele é uma lembrança, devo dissolvê-lo. Sou o espectador posso dilatar o imaginado e não quero me perder em argumentações sem propósito. Não quero me caracterizar enquanto infundado, nem por isso me expor. Sou o vampiro vagante que durante a madrugada espreita pela tela tudo o que é alheio a mim.

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