terça-feira, 2 de junho de 2009

Sem explica- Ação


Embora eu não aceite, admito que adentramos um caminho um tanto quanto nebuloso. Do lado de dentro a mágoa inspira ingenuidade à medida que expira desconfiança. Prazer mórbido o seu, de repuxar com ajuda do tato, a casca da ferida que cicatriza.

Deixa a natureza agir! Altere a ordem dos fatos. Não se paralise diante da lembrança do passado. O que queres?! Solte a ação natural!

Para observá-lo liberto de sua própria prisão, eu buscaria desatar os nós que lacram sua caixa de pandora a fim de entregá-la a ti. Isso para v/c poder visualizar aqueles segredos que esconde de si mesmo. Se eu soubesse os caminhos para desatar os nós das culpas que carrega assim eu teria feito. Mas, suas palavras tecladas num falso desfecho, parecem fiar mais laços (ou nós, só v/c sabe) para o aprisionamento de novos segredos.

Tranquilize-se, não sou a Deusa. Meus olhos não são capazes de enxergar pra além do que queres que eu veja.

Como eu queria reviver aquela história, descontruí-la na sua gênese. O que chama de autopiedade eu denomino sinceridade, a entrega dos medos, das confusões internas, de dentro pra fora. Ser humano significa também perceber as limitações impostas pela condição própria de humanidade. Que mal lhe fiz? O que lhe causo? São perguntas que voaram no tempo.

Se menos imaturo fosse me diria olhando nos olhos o que conclui (ou um dia concluiu) sobre mim. Como alguém tão insignificante, quanto o que v/c diz eu ser, ainda lhe causa incômodos e lembranças que o levam a reflexão?

Se a ação fosse só individual... eu mesma destruiria, com os cinco sentidos reservados ao meu corpo, todo o legado da miséria cristã. Porém, ainda que para a tentativa vã, eu teria que num esforço constante esquecer o quanto a liberdade também é fruto da percepção e inter-Ação do próprio oprimido contra si. Teria que esquecer da ação contínua que eu mesma travo contra mim, contra os resquícios de uma auto-opressão construída socialmente.

Somos anti-heróis, não recriemos ilusões. A ação individual que cada um constrói por si e tão necessária quanto a coletiva, então brindemos: à convivência