
Observo uma mulher que caminha aparentando estar meio perdida. O que será que se passa na sua mente? Será uma mente insana ou será ela adaptada a vida para o trabalho?
Como seguir frente a uma história descontinua e marcada por lacunas sócio-existenciais? Será ela só? Ou será que dentro do inconsciente a solidão não é sua parceira?
Durante a manhã a observei como revistasse a agonia que pisoteia toda a sensação de fragilidade. Seu percurso ziguezagueante revelava a inconstante emoção de satisfação.
Lembrei que já a havia visto outras vezes. Ela era uma peça comum da Alcindo Guanabara, Centro do Rio. Lembrei de uma tarde de um dia comercial em que eu refrescada pelo banho esperava a condução. Eu estava ali com meus textos lidos, com a matéria decorada na cabeça, com o valor da passagem na mão quando ela abraçou um homem que falava ao celular. A atitude dele de susto a asperou mas ela não se conteve abraçou outro que se sentiu inojado e envergonhado de negar afeto aquela que tão voluntariamente lhe dirigia o gesto.
Ele buscou se desculpar para as demais pessoas que estavam sentadas ao ponto. Justificava-se: - “Ela está suja! Tadinha! Está carente, quer atenção! Como posso?! Ainda vou trabalhar hoje (...) e se ela tiver uma doença de pele.” Enquanto isso ela saiu chorando vilipendiada. Aparentando ter sido incompreendida enxugava suas lágrimas com a barra do casaco.
E eu por alguns segundos julguei-me superior. A observadora portadora de recursos suficientes para comprar uma vida menos medíocre, ajustada à racionalidade construída sob base real, objetiva. Os minutos passaram e logo voltei para a reflexão empática. Queria afagá-la, ouvi-la. Mas, eu também estava presa a uma grade de horário, da Escola de Serviço Social. (Metáfora? Não. Fato real) Eu me desencontrei e prossegui. Minha ação não era por um, por ela, nem por mim. Eu queria desmontar toda a estrutura social e ainda hoje busco como.
Ainda não entendi o que move as pessoas da casa para o trabalho, do trabalho para família, da família para labuta e dessa para o amanhã? Como não se percebem construtoras da ação? Não sei. Juro que me desencontro toda vez que busco racionalmente entender o que motiva tantas pessoas para vida mesquinha, pouco aprazível. Minha psique corrói-me em dor toda vez que me vejo inerte ao movimento de busca pela superação dessa forma de viver pequena e doentia.
Não me faz sentido trabalhar para comer, pensar para oprimir. Se a emancipação – meu sonho irrealizável porque imperceptível às possibilidades para sua realização – não é possível, prefiro à morte (reconheço o fatalismo subliminar). Prefiro sumir, planar até as brumas do infinito e esquecer toda a tentativa. Porém, não há lugar possível pra onde ir. Não há encontro possível. Meu sonho não se constrói em solitude, nem somente à dois.
Nanã abra-me seus braços. Não posso mais. Não consigo mais encontrar alegria diante de tanta ausência. Já não consigo disfarçar toda a dor de ver, sentir e entender que a opressão se retro-alimenta. A sensação contenta é inexeqüível ante aos rostos corroídos pela fome, carcomidos pelo crack, diante de pessoas nitidamente destruídas pela miséria que lhe impossibilitam outras saídas se não a venda de seus próprios sonhos.
A moça ziguezagueante talvez tenha se encontrado num espaço imaginário, mais livre porque não mercantil. Talvez numa “Parságada” ou numa “Cocanha” interior ela seja mais feliz. Num mundo imaginativo talvez se sinta mais apta e menos adaptável. Quem sabe dentro de si encontrou a paz de não ter que seguir tantas determinações sociais, nem tantos condicionantes para ser aceita.
Leitor! Quanto custa sua vida? Tem sonhos, quanto custam? E o tempo necessário para a realização do ideal, lhe é caro? Como jogas pela janela a possibilidade de outra via?
Sou marcada pela dor. Assumo! Sou marcada por histórias de vida que revelam estragos da ausência do apoio social, do mínimo necessário para suprir a sobrevida.
Perdi-me dentro daquela mulher ziguezagueante que em seu olhar puxava a piedade como uma forma de me convencer a lhe ceder esmolas. Ela era uma pedinte e eu não era menos patética. Muito menos as minhas mazelas estavam menos expostas. Eu era ela na voz passiva.
Como seguir frente a uma história descontinua e marcada por lacunas sócio-existenciais? Será ela só? Ou será que dentro do inconsciente a solidão não é sua parceira?
Durante a manhã a observei como revistasse a agonia que pisoteia toda a sensação de fragilidade. Seu percurso ziguezagueante revelava a inconstante emoção de satisfação.
Lembrei que já a havia visto outras vezes. Ela era uma peça comum da Alcindo Guanabara, Centro do Rio. Lembrei de uma tarde de um dia comercial em que eu refrescada pelo banho esperava a condução. Eu estava ali com meus textos lidos, com a matéria decorada na cabeça, com o valor da passagem na mão quando ela abraçou um homem que falava ao celular. A atitude dele de susto a asperou mas ela não se conteve abraçou outro que se sentiu inojado e envergonhado de negar afeto aquela que tão voluntariamente lhe dirigia o gesto.
Ele buscou se desculpar para as demais pessoas que estavam sentadas ao ponto. Justificava-se: - “Ela está suja! Tadinha! Está carente, quer atenção! Como posso?! Ainda vou trabalhar hoje (...) e se ela tiver uma doença de pele.” Enquanto isso ela saiu chorando vilipendiada. Aparentando ter sido incompreendida enxugava suas lágrimas com a barra do casaco.
E eu por alguns segundos julguei-me superior. A observadora portadora de recursos suficientes para comprar uma vida menos medíocre, ajustada à racionalidade construída sob base real, objetiva. Os minutos passaram e logo voltei para a reflexão empática. Queria afagá-la, ouvi-la. Mas, eu também estava presa a uma grade de horário, da Escola de Serviço Social. (Metáfora? Não. Fato real) Eu me desencontrei e prossegui. Minha ação não era por um, por ela, nem por mim. Eu queria desmontar toda a estrutura social e ainda hoje busco como.
Ainda não entendi o que move as pessoas da casa para o trabalho, do trabalho para família, da família para labuta e dessa para o amanhã? Como não se percebem construtoras da ação? Não sei. Juro que me desencontro toda vez que busco racionalmente entender o que motiva tantas pessoas para vida mesquinha, pouco aprazível. Minha psique corrói-me em dor toda vez que me vejo inerte ao movimento de busca pela superação dessa forma de viver pequena e doentia.
Não me faz sentido trabalhar para comer, pensar para oprimir. Se a emancipação – meu sonho irrealizável porque imperceptível às possibilidades para sua realização – não é possível, prefiro à morte (reconheço o fatalismo subliminar). Prefiro sumir, planar até as brumas do infinito e esquecer toda a tentativa. Porém, não há lugar possível pra onde ir. Não há encontro possível. Meu sonho não se constrói em solitude, nem somente à dois.
Nanã abra-me seus braços. Não posso mais. Não consigo mais encontrar alegria diante de tanta ausência. Já não consigo disfarçar toda a dor de ver, sentir e entender que a opressão se retro-alimenta. A sensação contenta é inexeqüível ante aos rostos corroídos pela fome, carcomidos pelo crack, diante de pessoas nitidamente destruídas pela miséria que lhe impossibilitam outras saídas se não a venda de seus próprios sonhos.
A moça ziguezagueante talvez tenha se encontrado num espaço imaginário, mais livre porque não mercantil. Talvez numa “Parságada” ou numa “Cocanha” interior ela seja mais feliz. Num mundo imaginativo talvez se sinta mais apta e menos adaptável. Quem sabe dentro de si encontrou a paz de não ter que seguir tantas determinações sociais, nem tantos condicionantes para ser aceita.
Leitor! Quanto custa sua vida? Tem sonhos, quanto custam? E o tempo necessário para a realização do ideal, lhe é caro? Como jogas pela janela a possibilidade de outra via?
Sou marcada pela dor. Assumo! Sou marcada por histórias de vida que revelam estragos da ausência do apoio social, do mínimo necessário para suprir a sobrevida.
Perdi-me dentro daquela mulher ziguezagueante que em seu olhar puxava a piedade como uma forma de me convencer a lhe ceder esmolas. Ela era uma pedinte e eu não era menos patética. Muito menos as minhas mazelas estavam menos expostas. Eu era ela na voz passiva.

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