domingo, 2 de agosto de 2009

Um dia comum


Era um dia comum como todos os outros e nada, até então, o demonstrava como diferente. Eu tinha por hábito organizar mentalmente, ainda no início do dia, as tarefas que deveriam ser cumpridas. De tal forma, qualquer ação fora desse script seria totalmente casual. Ele saíra apressado, pois julgava que várias tarefas o aguardavam como prontas para serem executadas – pelo menos foi o que me confessou no final do dia.

Quando me viu abaixou a cabeça. Com esse gesto ele parecia querer afastar, de si para si, o desejo que tinha de sentir a minha boca. Ele demonstrava se perceber tolo por achar-se vulnerável a sensação que o dominava. Andou em minha direção e com um aceno buscou disfarçar o mal estar que o embaraçava. Não imaginava que eu pudesse na ponta dos pés, alcançar seus lábios e beijar-lhe.

Eu, distraída, via frente a minha face uma boca disposta a ser beijada. Foi por impulso, sem reflexão, cinismo ou raciocínio lógico que o olhei e o beijei. Ainda busquei auto-desculpa mas o despertar de palavras não cabia. A saliva degustada revelava mais que as explicações pudessem. Aos meus olhos parecia tão desarmado e correspondido. O contentamento era explícito. Abraçou-me e carinhosamente afagou minha face. Respirou fundo e sorriu. O encontro apenas começara.

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